fred_rib_15O jogo do Domingo foi apenas um capítulo das últimas semanas de fúria brasileira. Os mestres da suspeita se deliciam em elaborar teorias da conspiração. Acho que é necessário e saudável, antes de contaminar os fatos com complexas teorias, deixar que as coisas falem por si mesmas. A primeira palavra que me vem aos lábios para descrever a forma como jogou a seleção brasileira é, paradoxalmente, fúria ((Paradoxal porque, tradicionalmente, a seleção espanhola é chamada de “Fúria”. Já alguns comentaristas tinham alertado que o atual esquema de jogo atual da seleção espanhola é o menos parecido com o sentimento com o qual foi historicamente associado. O toque preciso e paciente, muitas vezes para os lados ou para trás, até encontrar uma brecha na defesa do outro time, paciente e cadenciadamente é, com efeito, o mais distante possível de um agir “furioso” e intempestivo.)).

Os brasileiros imprimiram um ritmo furioso, impressionante, desde o começo. Não desprezaram nenhuma bola, nenhuma oportunidade, e foram implacáveis na marcação. Não deixaram os espanhóis pensarem com a bola nos pés, desarticulando o frio tic-tac. Até o gênio Iniesta ficou perdido em campo.

Alguns personagens dessa história merecem destaque. Fred é o primeiro, porque é o artilheiro que todo time precisa: o sem-vergonha que não tem medo de fazer gol feio. De barriga, de joelho, de bochecha. Não importa. A bola sempre dá um jeito de achar o Fred. O pessoal não entendeu ainda que é a bola que o procura e não o contrário. A sua arte consiste em não esconder-se, em deixar-se encontrar, estar no lugar certo na hora certa: não perder o encontro marcado com o destino.

David Luiz é outro que merece destaque. O mais furioso e irracional dos brasileiros. A bola que ele tirou na linha valeu como um gol (ou mais, pela importância do momento em que aconteceu). O Maracanã efervescido não parava de gritar seu nome, e com razão.

Finalmente, merece destaque Neymar, que combinou talento e genialidade com malandragem e raça. Fez um golaço, chutando um foguete de perna esquerda. Fez uma deixada sensacional no segundo gol do Fred e mostrou entrosamento excepcional com Oscar no seu próprio gol, saindo oportunamente do impedimento.

Outros nomes podem ser citados: Marcelo, em minha opinião o melhor lateral esquerdo do mundo, Luiz Gustavo, Tiago Silva, Daniel Alves, Hulk, Paulinho, o próprio Júlio Cesar.

Alguns pessimistas afirmam que nunca uma seleção que ganhou a Copa das Confederações conquistou depois a Copa do Mundo. Para eles a história é uma perpétua repetição e não uma sucessão de saltos. Saltos como o que presenciamos Domingo. Antes da Copa das Confederações o Brasil não tinha seleção. Hoje tem. A fúria era espanhola. Hoje é brasileira. O tic-tac reinava. Hoje está desmontado. O gigante dormia. Hoje está acordado.

Vejo o futebol como uma alegoria do real inserido no real, no qual os saltos são possíveis e acontecem quando menos esperamos – obra do espírito humano, eterno e criativo – mas são sempre imperceptíveis para quem não queira ver para além das próprias teorias, os mestres da suspeita e seus discípulos.

© 2013 – Martín Ugarteche Fernández para el Centro de Estudios Católicos – CEC

 

Martín Ugarteche Fernández

Martín nació en el Perú en 1978, cursó estudios en Ingeniería Industrial entre los años 1995 y 1998. El año 1996 ingresó al Sodalicio de Vida Cristiana y desde el 2001 vive en Petrópolis, en el Estado de Río de Janeiro (Brasil), donde se graduó como licenciado en filosofía el año 2005, por la Universidad Católica de Petrópolis y luego como magíster, también en filosofía, el año 2008, por la Pontificia Universidad Católica de Río de Janeiro. Actualmente es candidato al título de doctor en filosofía por la Universidad de los Andes, en Santiago de Chile.
Desde el año 2003 desarrolla diversos proyectos de evangelización de la cultura en Brasil, tales como Histórias de Natal y Vida em Movimento. Desde el año 2007 es profesor en la Universidad Católica de Petrópolis, afiliado al Centro de Teología y Humanidades de dicha institución. Es profesor de Ética, Introducción a la Filosofía, Lógica y Teoría del Conocimiento.
Además de ser el Director Regional del CEC en Brasil, es miembro del consejo de Ética de la Universidad Católica de Petrópolis y editor asistente de la revista Synesis, del Centro de Teología y Humanidades de dicha casa de estudios.

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